Um dia do lado de fora: voluntário na Maratona dos Perdidos

voluntário na Maratona dos Perdidos

Quem corre a Maratona dos Perdidos enfrenta lama, frio, pedra, subidas intermináveis e horas de esforço físico. Mas existe outro grupo que passa o dia inteiro na montanha e quase nunca aparece nas fotos de chegada: os voluntários.

Passei um dia observando esse lado da prova. Enquanto os atletas se preparam para largar, os voluntários já estão trabalhando há horas. Alguns carregam água e alimentos para pontos remotos da Serra. Outros organizam a entrega de kits, orientam corredores perdidos em cruzamentos de trilhas ou ficam responsáveis pelos postos de apoio espalhados pelo percurso.

Na Maratona dos Perdidos, isso ganha outra dimensão. A prova ficou conhecida ao longo dos anos pelo terreno técnico, pelos grandes desníveis e pelas condições que mudam rapidamente. Em relatos antigos, atletas descrevem lama profunda, trilhas escorregadias, rios para atravessar e longas subidas até cumes como o Morro dos Perdidos e o Araçatuba.

Quem está em um ponto de apoio vê cenas que a maioria dos espectadores nunca presencia. Corredores chegando sorrindo e, minutos depois, sentando no chão completamente exaustos. Atletas experientes ajudando iniciantes. Pessoas que passam horas sonhando apenas com um copo de água ou uma fruta.

Um relato publicado pelo AltaMontanha descreve justamente esse ambiente de companheirismo. A autora acompanhou a chegada dos atletas e destacou a participação de amigos que atuavam como voluntários na hidratação, alimentação, entrega de medalhas e apoio ao longo do percurso. Ela também relatou a emoção de ver corredores superando seus próprios limites e cruzando a linha de chegada mesmo após um dia extremamente difícil na montanha.

Talvez a maior recompensa do voluntariado seja essa proximidade com histórias que quase ninguém conhece. O corredor que chegou depois do tempo previsto, mas se recusou a desistir. O atleta que dividiu comida com outro competidor. A comemoração silenciosa de quem simplesmente conseguiu terminar.

A Maratona dos Perdidos construiu sua reputação como uma das corridas de montanha mais exigentes do Brasil. Muitos relatos falam da dureza do percurso, mas também da qualidade do ambiente criado por organizadores, equipes de apoio e voluntários.

No fim do dia, enquanto os últimos corredores ainda descem a montanha, os voluntários continuam ali. Recolhem estruturas, organizam materiais e ajudam quem ainda está chegando. Não recebem medalha de finisher nem aparecem nos resultados oficiais.

Mas sem eles, simplesmente não existiria corrida.

E talvez seja justamente por isso que um dia como voluntário na Maratona dos Perdidos fique marcado. Você não corre um quilômetro sequer, mas volta para casa sentindo que fez parte de cada chegada.

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