O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz durante a descida do Pico Paraná em 2026, colocou novamente a segurança nas montanhas em evidência. O caso mobilizou equipes de resgate por vários dias e chamou atenção para um problema recorrente: muitos visitantes ainda ignoram procedimentos básicos que podem fazer diferença em uma emergência.
Embora diversas regras do Parque Estadual Pico Paraná já existissem antes desse episódio, o Instituto Água e Terra (IAT) reforçou a fiscalização e intensificou ações para combater acessos irregulares, orientar montanhistas e garantir que a visitação ocorra de forma mais segura. Se você pretende subir a montanha em 2026, estas são as principais informações que precisa conhecer.
O caso Roberto aumentou o debate sobre segurança
O Pico Paraná é o ponto mais alto da Região Sul do Brasil e recebe milhares de visitantes todos os anos. Com o crescimento da procura, aumentaram também os acidentes, os resgates e os casos de pessoas que iniciam a trilha sem o preparo adequado.
O desaparecimento de Roberto não criou novas regras por si só, mas reforçou a importância de cumprir normas que já faziam parte da gestão do parque. Após o caso, o IAT ampliou operações de fiscalização e voltou a destacar procedimentos considerados essenciais para reduzir riscos durante a visita.
10 anos da instalação da base de apoio e cadastro
A base de recepção e controle do Instituto Água e Terra (IAT), antigo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), no Parque Estadual Pico Paraná (PEPP) foi instalada em meados do ano de 2016. A estrutura foi montada em um terreno cedido pelo município de Campina Grande do Sul, servindo como ponto de partida para as trilhas da região.
O processo de instalação aconteceu por meio de um esforço conjunto e descentralizado, focado na contenção dos impactos do montanhismo desordenado. O resumo das etapas do processo destaca a evolução das ações:
- Identificação do problema: O aumento expressivo e sem controle de visitantes na região da Serra do Ibitiraquire gerou graves problemas de degradação ambiental, acúmulo de lixo e riscos constantes de montanhistas perdidos.
- Cessão do terreno (2016): Para centralizar o fluxo de pessoas, a prefeitura de Campina Grande do Sul cedeu o terreno na entrada principal da trilha para que a autarquia ambiental estruturasse seu posto de fiscalização e cadastro.
- Parceria e o Grupo de Trabalho (GT): O órgão público percebeu que precisava do conhecimento técnico de quem já frequentava a montanha para fazer a gestão dar certo. Foi criado um grupo de trabalho focado no plano de uso público e no manejo do parque.
- Papel fundamental do CPM: O Clube Paranaense de Montanhismo (CPM), que historicamente já cuidava da área por iniciativas como o programa institucional Adote uma Montanha, passou a integrar formalmente as discussões e as frentes de trabalho locais.
- O Voluntariado Organizado (VOU PP): O CPM liderou e coordenou o Projeto de Voluntariado do Pico Paraná (VOU PP) em parceria direta com o programa oficial de voluntariado do IAT. Em vez de apenas fiscais do governo atuarem na base e nas trilhas, o grupo de trabalho engajou os próprios montanhistas voluntários em mutirões de manejo com o apoio da Fazenda Rio das Pedras, propriedade vizinha ao parque.
Cadastro obrigatório continua sendo uma das regras mais importantes
Um dos erros mais comuns entre iniciantes é acreditar que basta chegar à montanha e iniciar a caminhada.
No Pico Paraná isso não funciona assim. Todos os visitantes devem realizar o cadastro na base do IAT antes de entrar no parque e retornar ao mesmo local ao final da atividade para dar baixa na ficha. Esse procedimento ajuda a administração a controlar a visitação e é uma ferramenta importante caso seja necessário iniciar uma operação de busca e resgate.
Além dos dados pessoais, o cadastro inclui informações como contato de emergência, experiência em ambientes de montanha e condições físicas do visitante.
A fiscalização ficou mais rigorosa no Parque Estadual Pico Paraná em 2026
Uma das ações mais conhecidas do IAT neste ano foi o fechamento de uma trilha clandestina que permitia o acesso irregular ao parque.
Durante a operação, o proprietário da área recebeu multas ambientais que somaram R$ 23 mil. O órgão também instalou placas indicando os acessos corretos e informou que continuará intensificando a fiscalização para impedir novas entradas ilegais.
Essa medida também veio acompanhada de outras operações. Em uma delas, 15 pessoas foram autuadas por utilizar caminhos proibidos para entrar na unidade de conservação.
O Plano de Uso Público mudou a forma de visitar o parque
Outra mudança importante foi a implementação gradual do Plano de Uso Público Emergencial do Parque Estadual Pico Paraná.
Entre as medidas que já estão em vigor estão o cadastro obrigatório, a assinatura do termo de conhecimento dos riscos, regras específicas para áreas de acampamento e normas para reduzir os impactos ambientais causados pelo aumento da visitação. Algumas ações, como novos sistemas de agendamento e cadastramento de condutores, continuam sendo implantadas de forma progressiva.
Quem pretende passar a noite na montanha também deve observar as regras para pernoite. O parque determina áreas autorizadas para acampamento e exige que cada visitante leve um kit para recolhimento de dejetos humanos (Shit Tube), além de respeitar limites de ocupação e horários definidos pelo IAT.
O que fazer antes de subir o Pico Paraná
Mesmo montanhistas experientes costumam revisar alguns itens antes de iniciar a caminhada. Hoje, mais do que nunca, esse planejamento faz diferença.
Antes da viagem, confira estes pontos:
- confirme se não existe restrição temporária causada por chuva, incêndios ou manutenção;
- realize corretamente o cadastro obrigatório;
- utilize apenas os acessos oficiais do parque;
- consulte a previsão do tempo antes da subida;
- leve equipamentos compatíveis com uma caminhada de montanha;
- informe familiares sobre o roteiro e o horário previsto de retorno;
- se for sua primeira vez, considere contratar um guia ou ir acompanhado de alguém que conheça o percurso.
Essas recomendações são reforçadas pelo próprio IAT e reduzem significativamente os riscos durante a atividade.
O Pico Paraná continua aberto, mas exige mais responsabilidade

O Pico Paraná permanece como um dos destinos mais procurados do montanhismo brasileiro. As mudanças recentes não têm o objetivo de dificultar a visitação, mas de organizar o crescente fluxo de pessoas e preservar uma área ambiental extremamente sensível.
O caso Roberto mostrou como uma ocorrência pode mobilizar grandes equipes de resgate e evidenciou a importância de seguir procedimentos que muitos visitantes ainda negligenciam.
Em 2026, quem pretende alcançar o ponto mais alto do Sul do Brasil encontra um parque mais organizado, com fiscalização mais presente e regras mais claras. Conhecê-las antes da viagem não apenas evita transtornos, mas aumenta as chances de que a experiência termine da melhor forma possível.
Visite o site oficial do PEPP para obter as informações completas:
https://www.iat.pr.gov.br/Pagina/Parque-Estadual-Pico-Parana-PEPP



